Ter a primeira aula de equitação é uma experiência que fica na memória. O cheiro a palha, o tamanho impressionante do animal, a sensação estranha de estar 1,5 metros acima do chão — e ao mesmo tempo tentar ouvir o instrutor e não cair.
Se vai começar em breve, estas dicas vão ajudá-lo a entrar mais preparado e a aproveitar muito mais cada aula.
Antes da primeira aula
O que vestir
Não precisa de equipamento de equitação profissional para começar. O essencial:
Obrigatório:
- Calças confortáveis — leggings, calças de desporto ou jodhpurs (calças de equitação). Evite jeans rígidos ou calças com costura grossa na zona interior da coxa — vão criar fricção e incomodar.
- Calçado fechado com sola plana ou ligeiramente com salto (até 2 cm). Botas de equitação são o ideal; na falta, sapatilhas de cano alto ou botas de caminhada servem. Evite sapatilhas de sola grossa — podem encravar no estribo, o que é perigoso.
Fornecido pela escola:
- Capacete certificado (obrigatório, fornecido gratuitamente se não tiver o seu)
- Colete de proteção (opcional mas recomendado para iniciantes)
Chegue 10 minutos antes
Use esse tempo para conhecer o espaço, fazer perguntas ao instrutor e observar os cavalos. Chegar atrasado a uma aula de equitação é problemático porque os cavalos já estão preparados e o tempo de aula conta.
Não coma uma refeição pesada imediatamente antes
A equitação envolve equilíbrio e movimento constante. Uma refeição pesada pode causar desconforto. Uma refeição leve 1 a 2 horas antes é o ideal.
Na aula — os princípios fundamentais
1. Relaxe — a tensão é o maior inimigo
Esta é provavelmente a dica mais importante de todas. Quando estamos nervosos, ficamos rígidos. Quando ficamos rígidos, o cavalo sente — e também fica mais tenso. É um ciclo que se alimenta a si próprio.
O cavalo consegue sentir a nossa tensão muscular através das pernas e das mãos. Um cavaleiro relaxado comunica calma ao animal; um cavaleiro rígido comunica stress.
Exercício prático: A cada poucos minutos, faça uma respiração funda e verifique conscientemente se os seus ombros, braços e mãos estão relaxados.
2. A postura — ouvidos, ombros, ancas, calcanhares numa linha
A postura correta na sela é a base de tudo. A regra de ouro:
Ouvidos → ombros → ancas → calcanhares numa linha vertical
O que isto significa na prática:
- Costas direitas mas não rígidas — como se houvesse um fio a puxar o topo da cabeça para cima
- Ombros para trás e para baixo — não encolhidos para a frente
- Calcanhares para baixo — este é o ponto de equilíbrio; calcanhares para cima fazem-no bascular para a frente
- Olhar para a frente — nunca para baixo; olhar para o chão desequilibra automaticamente
3. Siga o movimento — não lute contra ele
O maior erro dos iniciantes é tentar “controlar” o movimento do cavalo resistindo a ele. O resultado é um cavaleiro saltitante que se agarra desesperadamente às rédeas.
A equitação é uma conversa, não uma luta. O objetivo é absorver o movimento do cavalo com o corpo — deixar as ancas moverem-se com o cavalo, os cotovelos absorverem o movimento das rédeas.
Isto leva tempo a aprender. Não se preocupe se nas primeiras aulas o trote parece uma máquina de lavar — é completamente normal.
4. As rédeas comunicam, não seguram
Um erro muito comum: usar as rédeas como apoio para não cair. Isso é perigoso (para si e para o cavalo) e vai criar um cavalo com a boca “dura”.
As rédeas são um canal de comunicação subtil, não um volante de carro. O contacto deve ser leve e elástico — como se segurasse um pássaro que não quer magoar mas também não quer que voe.
O equilíbrio deve vir das pernas e das ancas, nunca das mãos.
5. As pernas fazem mais do que parece
As pernas do cavaleiro não servem apenas para “dar espora”. São o principal meio de comunicação com o cavalo:
- Perna junto ao flanco — pede ao cavalo para avançar ou manter o ritmo
- Perna recuada — controla o quarto traseiro
- Pressão dos joelhos — equilíbrio lateral
Nas primeiras aulas, foque-se apenas em manter as pernas quietas e próximas do cavalo. Pernas que batem aleatoriamente confundem o animal.
Os 5 erros mais comuns nos iniciantes
| Erro | Consequência | Solução |
|---|---|---|
| Olhar para baixo | Desequilíbrio, perda de postura | Fixar um ponto à frente |
| Calcanhares para cima | Perna instável, risco de queda | Consciencializar o peso nos calcanhares |
| Rédeas tensas e rígidas | Cavalo com boca dura, comunicação quebrada | Imaginar segurar ovos: firme mas suave |
| Corpo rígido de medo | Cavaleiro saltitante, cansaço rápido | Respirar fundo, soltar ombros e braços |
| Tentar aprender tudo de uma vez | Sobrecarga, frustração | Focar numa coisa por aula |
Quanto tempo demora a aprender a montar?
Não existe uma resposta única, mas aqui estão referências realistas com aulas semanais regulares:
- 1 mês — confortável a passo, introdução ao trote
- 3 meses — trote controlado, primeiros galopes assistidos
- 6 meses — galope independente, transições fluidas
- 12 meses — autonomia real na sela, primeiros exercícios técnicos
A progressão acelera muito com 2 aulas por semana em vez de 1.
A primeira queda — vai acontecer
É quase inevitável. A maioria das pessoas cai nas primeiras semanas ou meses. A boa notícia: com equipamento adequado (capacete, colete) e cavalos calmos usados para iniciantes, as quedas raramente resultam em lesões.
O mais importante após uma queda: montar outra vez o mais depressa possível. A cada minuto que passa sem voltar a montar, o medo consolida-se.
Próximo passo: inscrever-se num plano regular
A equitação não se aprende em 2 ou 3 aulas — é uma prática que se vai aprofundando ao longo do tempo. A consistência é fundamental.
Na Escola de Equitação Miguel Alves, em Cascais, as aulas para iniciantes têm grupos de no máximo 4 alunos e instrutor certificado FEP com mais de 25 anos de experiência.
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A escola está aberta todos os dias das 08:00 às 20:00, a 30 minutos de Lisboa pela A5.